A Educação Infantil no Brasil

Por: Daniele Júlia Nascimento da Costa



A Educação Infantil no Brasil ainda hoje é encarada como lúdica e assistencialista por muitas pessoas, muitos educadores ainda insistem em manter a concepção de que essa etapa da educação básica, dos 0 aos 5 anos, sirva tão somente para socialização e interação com o meio e o outro. Muitos pais deixam seus filhos nessas instituições, apenas para terem "alguém para cuidar" deles. Outros chegam aos portões dessas escolas, as quais eles insistem em chamar de "escolinhas", desesperados, pois no dia seguinte terão de trabalhar e precisam da vaga. Não preparam a criança para esse momento e não comparecem à escola quando solicitados, nem às reuniões de pais bimestrais. Não se interessam pela aprendizagem do filho e reclamam quando levam atividades para serem realizadas em casa com a família, segundo uma mantenedora de escola. Entre os educadores, o problema está nas atividades, que muitas vezes deixa de ser explorada com maior profundidade, por acreditarem que a criança não seja capaz de ir além. Os critérios para sua elaboração ainda não são definidos coerentemente e a metodologia ainda é tradicional em muitos casos, porém é perfeitamente cabível refletir, dançar, cantar, brincar, explorar o meio, as cores, formas, sensações e tudo o mais que faz parte da educação infantil buscando conhecimento, além do cuidado. O que se vê, muitas vezes  é um empobrecimento das atividades.

A Educação Infantil em nosso país, surgiu mais formalmente após a revolução industrial, quando a mulher passou a trabalhar fora de casa. Além disso, muitos trabalhadores começaram a exigir esse serviço como direito enquanto trabalhadores que eram e de seus filhos.

No século XIX a educação da criança das classes menos favorecidas não possuía a mesma atenção que as crianças da elite, pois neste contexto o ser pobre era aquele merecedor de pena; os reformadores protestantes defendiam a educação como direito universal, mas o Estado priorizava a formação da elite.

Na década de 1920, a visão imperialista de que a escola era apenas para as camadas mais favorecidas da sociedade foi dando espaço à concepção da Democratização do ensino que via todas as  crianças como iguais e detentoras desse direito.

Na década de 1930, o governo iniciou parcerias público-privadas, hoje conhecidas como PPPs, buscando apoio financeiro e criando órgãos voltados à assistência da criança nesta faixa etária,  como o Ministério a Educação, o que foi realizado com intuito ao combate à mortalidade infantil, preocupando-se então com a higiene e cuidados das mesmas.

Em 1940, surgiu o departamento Nacional da Criança, com objetivo de ordenar atividades dirigidas à infância, maternidade e adolescência, sendo administrado pelo Ministério da Saúde. Na década de 1950 havia uma forte tendência médico higiênica do departamento nacional da Criança, desenvolvendo vários programas e campanhas visando o … combate à desnutrição, vacinação e diversos estudos e pesquisas de cunho médico realizadas no Instituto Fernandes Figueira.

Daí em diante e por volta dos anos 1980, a forma de criar os filhos se modifica e a educação pré-escolar foi instituída oficialmente, entendida como política governamental através do III Plano Setorial de Educação, Cultura e Desporto. E em 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9394/96, muda-se o sentido de educação infantil, passando esta a ser responsabilidade da Secretaria de Educação, sendo um nível de ensino, exigindo profissionais da educação infantil, ou seja, professores.

Hoje, já na segunda década dos anos 2000, é fundamental que todos tenham consciência da importância e influência desse nível de ensino dentro da formação global da criança. A Educação Infantil, uma etapa importantíssima da Educação Básica tem como finalidade, muito mais que cuidar, EDUCAR, educar no sentido de oferecer meios de construção do conhecimento pela criança, já que educação também vem de casa, mas no sentido amplo da palavra e mais formal, educar para a vida, de maneira lúdica, auxiliando o aluno, a desenvolver-se social e cognitivamente e por que não iniciar o seu LETRAMENTO.

Deve-se, para tanto, organizar o currículo de forma que garanta à criança a progressiva inserção no mundo social, no mundo da natureza, e propicie oportunidades para que ela desenvolva linguagens, por meio de sua introdução no mundo da música, da expressão corporal, das representações simbólicas e também no mundo da escrita, já que em muitos casos essa é a única oportunidade para que ela entre em contato com o mundo das letras e textos.

Esse contato, portanto deve ser favorecido em momentos contextualizados onde textos de diferentes gêneros e em diferentes contextos, portadores e de diferentes formas de uso, produtores e destinatários sejam apresentados e analisados, manipulados, lidos, entendidos, refletidos...

O próprio MEC, com o Proinfância, oferece aos municípios que fazem adesão ao Programa, plantas de Creches com bibliotecas. Isso comprova que proporcionar esse contato com a leitura é coisa muito séria e recomendada. Além disso, é aconselhável que os textos escolarizados sejam deixados de lado e que se oportunize a leitura e contato com textos reais, de uso cotidiano em diferentes situações. Ainda, é imprescindível que as crianças tenham acesso e manipulem esses livros, sem medo de que rasguem ou rabisquem, já que só aprenderão o uso adequado ao passo que puderem ter contato sistematizado com esse tipo de material. O ideal, aliás, é que esses livros sejam cartonados, de pano, em material resistente, próprios para a faixa etária, pois tendo contato diário com eles os alunos aprendem a manipulá-los e entendem suas formas de uso.

A Educação Infantil, não deve ser vista como preparação para o Ensino Fundamental, portanto não deve haver cobranças de metas para que essas crianças atinjam, o que for conseguido por elas será um grande passo, não sendo função dessa etapa Alfabetizar, não que não possa acontecer, devido ao contato diário com o ambiente letrado isso é perfeitamente aceitável e provável, porém o que importa é que ela perceba a base alfabética, e que a mesma é utilizada para escrever o que se fala e principalmente que ela  deixe a escrita pictórica de lado, onde se representa as coisas e não as palavras e seus sons.


Referências:


KRAMER. S. A política do pré-escolar no Brasil: a arte do disfarce. Rio de Janeiro: Achime, 1995.



Referenciais Curriculares Nacionais de Educação Infantil


 


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