Projetos em E-ducação

 Por: Daniele Júlia Nascimento da Costa (Danny L Costa)
  

As novas tecnologias são ferramentas muito poderosas para a transmissão do conhecimento, sendo o transmissor e o receptor muito ativos nesse processo, sobretudo quando se considera o tamanho da memória contemporânea e também a capacidade de processar informações.
 Pierre Lévy








Resolvi escrever esse texto após muitos interessados no curso que estou oferecendo online me questionarem sobre a importância de se trabalhar Projetos em Educação aliando Tecnologias ao Currículo.

Bom, para começar posso afirmar que em se tratando de Educação o trabalho com projetos é sempre o mais viável, porque ao se trabalhar com eles, primeiramente, nós acabamos por planejar uma trajetória tendo um produto final para apresentar. Nesse percurso, que inicia no planejamento do projeto, nós refletimos a prática e mobilizamos todo nosso conhecimento prévio sobre o tema e sub-temas que o Projeto vai trabalhar.

No caso do Projetos em E-ducação, além da elaboração do projeto com a colaboração do aluno, proponho que o mesmo seja o coautor do projeto, não apenas em sugestões de temas, mas como auxiliar do professor no planejamento do mesmo e envolvido como protagonista, não como centro do processo, mas como agente de mudança social que se pretende.

Além disso, acredito no trabalho por projetos, na inter e transdisciplinaridade, permitindo a integração de situações de aprendizagem muito além da escola, possibilitando o debate entre diferentes pontos de vista, o que contribui para a aprendizagem contextualizada, relacionando interesses e necessidades dos educandos dentro de um ambiente onde os desafios vivenciados em outros momentos da vida podem ser mobilizados na resolução dos problemas que surgem na aprendizagem. E é exatamente por isso que é necessário uma capacitação em serviço, onde o professor se aproprie desses conceitos dialogicamente com a prática, pois não é raro professores dizerem que trabalham por projetos quando na verdade trabalham única e exclusivamente na transmissão de conteúdos e informações. 

 Para Moran, o desenvolvimento do projeto pode servir como pano de fundo para o professor trabalhar diferentes tipos de conhecimentos que estão imbricados e representados em termos de três construções: procedimentos e estratégias de resolução de problemas, conceitos disciplinares, e estratégias e conceitos sobre aprender.

Assim, nestas situações, os estudantes deveriam ser capazes de adquirir não somente conceitos disciplinares como também saber quem eles são do ponto de vista social, emocional e como aprendizes. Isto permitiria a todos os níveis escolares unir os mundos da escola e da vida, e cultivar a razão e a emoção sob um mesmo teto, como proposto por Maturana, em Emociones y Lenguaje en Educación y Política. (in:  MORAN, J. A. Tecnologia e práticas diversificadas: Repensando as situações de aprendizagem: o fazer e o compreender.)

O professor, no Projetos em E-ducação, é levado a se portar como mediador da aprendizagem do aluno, nesse tocante Reuven Feurstein é enfático em dizer que o professor mediador auxilia aquele que não consegue aprender de forma autônoma, intuitiva, dinâmica, gerando hipóteses, testando-as, criando novas formas de resolução de problemas, a fazer tudo isso. O professor utiliza-se de critérios de mediação que passam pela intencionalidade, porém essa mediação não é apenas aquela concebida no senso comum, onde o professor lança questões para o aluno refletir, mas ele age de forma intencional e com significado, tendo por objetivo a modificabilidade, sendo eles:

I – Intencionalidade e Reciprocidade
II – Transcendência
III – Mediação do Significado
IV – Mediação do Sentimento de Competência
V – Mediação do Controle e Regulação da Conduta
VI – Mediação do Comportamento de Compartilhar
VII – Mediação da Individuação e Diferenciação Psicológica
VIII – Mediação da Conduta de Busca, Planificação e Realização de Objetivos
X – Mediação da Consciência da Modificabilidade Humana (Percepção do Ser Humano como Entidade Modificável)
IX – Mediação do Desafio: Busca Pelo Novo e Complexo
XI – Mediação da Escolha da Alternativa Otimista
XII – Mediação do Sentimento de Pertença

Esse movimento de estudo teórico e diálogo com a prática é primordial dentro da formação em serviço. Sobre isso Nóvoa nos fala em entrevista para a revista Nova Escola ( Edição 142, MAIO 2001) quando questionado quanto se apenas ler sobre as novas teorias pedagógicas não é suficiente para se manter atualizado:
                                                            Há alguns anos surgiu o conceito de profissional reflexivo como uma forma de valorizar os saberes experimentais. Ele teve mais influência na pesquisa educacional do que nas atividades concretas de formação, mas foi importante na reorganização das práticas de ensino e dos modelos de supervisão dos estágios. No entanto, sempre me recordo das palavras do educador americano John Dewey: "Quando se diz que um professor tem dez anos de experiência, será que tem mesmo? Ou tem um ano de experiência repetido dez vezes?" Só uma reflexão sistemática e continuada é capaz de promover a dimensão formadora da prática.


Para mim, não faz sentido algum, também, o professor inserir as Tecnologias no Currículo, de forma inter e transdisciplinar se não for de forma totalmente construcionista, de maneira que se (re) construa oconhecimento e a cultura a partir da vivência e que se crie um currículo a partir do vivenciado, daquele currículo oculto e que o mesmo seja refletido por educadores e educandos. Que venham à tona questionamentos como onde conseguimos garantir modificabilidade de comportamentos, hábitos, cultura, aprendizagem? E por que não, "ensinagem"?

Nesse tipo de trabalho todos aprender principalmente o professor, já que ao criar um Projeto de Inserção de Mídias e Tecnologias ao Currículo ele irá primeiramente refletir sua prática, os recursos que têm ao seu alcance e de seus alunos. Ao estudar e revisitar pensadores da área, ele faz um resgate e uma reflexão da sua prática, viabilizando a práxis, tão fundamental na sua profissão. Ao esquematizar mapas conceituais ele organiza seu trabalho, fundamentando com seu estudo e reflexão através do olhar sensível que ele desenvolve ao longo da jornada e assim consegue construir em parceria com seus pares um Projeto viável dentro do seu contexto de trabalho significativamente.


TURRA, Neide C. Reuven Feurstein - Experiência de Aprendizagem Mediada: Um Salto para a Modificabilidade Cognitiva Estrutural. Revista Educere et  Educare. Vol. 2, nº 4, jul./dez. 2007. Revista de Educação, PUC - SP, p. 297-310.


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