A Formação de Professores em EAD - Superando Desafios

Por: Daniele Júlia Nascimento da Costa 


Em minha trajetória no magistério, nesses mais de 15 anos, observo continuamente os desafios da formação docente: jornada profissional dupla e até mesmo tripla, falta de valorização e oferecimento de bons cursos de formação, inicial ou continuada, falta de perspectiva, falta de aplicabilidade e engajamento.

Muitos professores enfrentam todos os desafios, desgastam-se em cursos presenciais aos fins de semana ou mesmo à noite, praticamente sem comer, cheios de cadernos, provas e atividades de alunos para corrigir, sacolas, maletas pesadas, cansados física e mentalmente, lá estão eles, frequentando os mais diversos cursos. Participativos, debatem todo tipo de tema, encaram várias horas sentados, lendo, refletindo, discutindo. Já fui formadora em cursos B-Learning, onde no meio do "caminho" não conseguiam prosseguir tamanho o desgaste.

Hoje, em pleno Século XXI temos a alternativa mais cabível e não menos eficaz, que são os cursos de EAD, desde sua implantação no Brasil, muitos rumores de que a qualidade desses cursos deixam a desejar invadem as decisões dos profissionais e muito mais dos professores pelo Brasil. Porém sabemos que esses Cursos, sejam eles de Graduação, Pós, extensão e/ou Cursos Livres têm tido cada vez mais adeptos, por terem sido reconhecidos atendendo a exigência de quem os cursa e sua qualidade acaba sendo comparável ao que se encontra nos cursos presenciais. Essa qualidade também se dá do ponto de vista do conforto e da adaptação que cada indivíduo terá em suas necessidades biológicas, físicas, psíquicas, de tempo e espaço. Cada qual pode adequar sua agenda para poder cursar seu curso em horários e espaços inimagináveis até pouco tempo. Pode-se ler um texto sugerido, assistir a um vídeo, animação, ouvir um podcast de qualquer lugar e até mesmo do próprio quarto. Aos finais de semana, no fim da noite, ou no horário que cada um escolher.

Porém é preciso ficar atento ao que um curso em EAD exige de quem o cursa, a evasão ainda é grande nesses tipos de cursos, devido à pouca experiência ainda de alguns com as ferramentas das plataformas de colaboração, as LMS, os ambientes colaborativos aprendizagem ou o nome que cada instituição queira atribuir à plataforma que é utilizada para disponibilizar seus conteúdos, ferramentas, atividades e avaliações, além das ferramentas de gestão acadêmica que muitos já trazem. Os professores e outros cursistas menos familiarizados acabam perdendo tempo e concentração e isso acaba desestimulando a continuarem cursando algo que tanto queriam.

O cursista de EAD deve saber que ao matricular-se em um curso desses ele não vai se deparar com um curso com cobranças menores, pelo contrário, muitas vezes a cobrança é maior, pois o professor para avaliar precisa de recursos extras que em um curso presencial ele não precisaria. Ele precisa trocar ideias com o cursista, precisa obter retorno de suas solicitações e da mesma forma o professor EAD deve estar atento às dificuldades de seus alunos cursistas, para sanar possíveis dúvidas e dar orientações.


Hoje, principalmente com o advento do m-learning (aprendizagem eletrônica móvel), os alunos estão conectados a todo momento e as dúvidas vão chegando sem parar,a interação é constante, e o professor precisa reservar um momento do seu dia para dar o feedback ao cursistas. 

Em especial, quando tratamos da formação de professores, sendo eles os cursistas, o processo de ensino e de aprendizagem é ainda mais complexo, pois o professor formado no método tradicional tem que enfrentar toda a desconstrução e a quebra de paradigmas provindos de uma educação centralizadora, de transmissão de conhecimento. Além de aprender a dominar valorizando as tecnologias como um novo sistema, com uma nova linguagem, enfoque e em uma nova cultura de aprendizagem, onde não mais transmitimos o conhecimento, mas construímos juntos e o professor precisa tornar-se um pesquisador, desenvolvendo as competências de procurar, selecionar e interpretar informações para construir seu conhecimento e mais aprender a trabalhar colaborativamente, cocriando sua aprendizagem e dos parceiros de curso, colaborando em discussões e debates que favoreçam a reflexão sobre o objeto de estudo. Só desta forma, tornando-se gestor da própria aprendizagem o professor vai conseguir mover-se nesse mundo virtual e colaborativo.

É necessário que esse professor perceba o formador (ou tutor) como um parceiro, um mediador entre o conhecimento e ele, pois ambos estão inseridos em um contexto de aprendizagem colaborativa, mediados pelas TIC.

Fundamental, torna-se, ser autônomo na aprendizagem, pois assim é a aprendizagem em rede, pela autoaprendizagem. Isso demanda uma quebra de paradigmas e de posturas. Então, quais as vantagens de um professor optar por um curso EAD? 

1. Exime o professor de cursar presencialmente um curso, o que lhe causaria mais transtornos quanto ao tempo e ao desgaste físico e mental do dia a dia, garantindo a flexibilização de tempo, podendo escolher como, quanto, onde e quando estudar.
2. O material é sempre estruturado de modo a garantir o autoestudo e o entendimento autônomo e quase intuitivo do que se pede e o que se espera.
3. Alia tecnologia e conteúdo, portanto aprende-se o conteúdo e familiariza-se com as mídias e tecnologias utilizadas.
4. Quando há necessidade, o cursista tem acesso ao professor formador/tutor que orienta em suas dúvidas sempre de forma amigável e o mais prontamente possível. O que o Professor Cursista deve ter em mente para cursar um curso de EAD:
Pesquisas no campo da psicologia da aprendizagem têm trazido algumas contribuições importantes. Elas nos mostram que se aprende quando:
 • você propõe objetivos para o que está estudando, fazendo com que o curso realizado tenha significado para sua vida e para sua formação profissional;
 • você se apropria realmente do que está estudando, estabelecendo relações entre as informações adquiridas e o que já estudou ou fez anteriormente;
 • você se dá conta de que precisa aprender, porque não sabe tudo; entende que a vida moderna exige de todo profissional um aperfeiçoamento constante;
 • você se vê motivado para o que se propôs, isto é, dedica-se ao estudo por gosto, e não por obrigação; você é capaz de criar uma rotina. Escolha o melhor horário para estudar e respeite-o. Algumas pessoas aprendem melhor quando estudam pela manhã (morning persons), outras à noite (night persons), quando outros já foram dormir e a casa se encontra em silêncio... (Mas tudo vai depender dos seus horários de trabalho, da rotina de sua casa, da sua capacidade de encontrar tempo para o estudo e para as outras tarefas, sem prejudicar o seu tempo de sono etc.). Evite estudar após as refeições: é nesse horário que “bate” aquele sono incontrolável, dado que as suas energias estarão desviadas para processar a sua digestão...;
 • você é capaz de criar um método próprio de estudo, lembrando-se de que:
 ** é importante planejar os seus horários e o tempo de duração de seus estudos. Não deixe para depois o que pode fazer agora;
 ** é bom ter claros os objetivos da sua leitura: é uma leitura para lazer? Para ter uma ideia do conteúdo de que trata o texto? (em fase de seleção de material); para conhecer o pensamento de um autor? Para obter um conhecimento específico? Para fazer uma resenha ou crítica do texto? Para cumprimento de uma tarefa?
 ** é aconselhável fazer primeiro uma leitura rápida do texto, sem se deter nos detalhes. Isso lhe dará uma visão global do texto e você poderá, a seguir, fazer uma leitura mais cuidadosa, sublinhando as idéias principais de acordo com os seus objetivos! Esta será uma leitura mais analítica;
 ** trechos complexos exigem mais de uma leitura. Se você não conseguir identificar o significado de uma palavra pelo contexto, procure-a no dicionário;
 ** a leitura silenciosa permite melhor compreensão do que está sendo lido. Entretanto, procure resguardar-se da distração provocada por outros estímulos: concentre-se na tarefa em curso;
 ** programe um tempo diário que lhe permita criar o hábito regular de estudo. Se você dispõe de pouco tempo durante a semana, compense o tempo de estudo nos fins de semana; ** períodos curtos são aconselháveis: não programe mais do que duas horas seguidas. Depois disso, a concentração decai...
(Guia do Cursista - Tecnologias da Educação: Ensinando e Aprendendo com as TIC - Proinfo Integrado/ SEED/ MEC)

Enquanto autora de cursos EAD, tendo sido formadora de cursos nas modalidades B-learning, formadora e aluna em e-learning sei da dificuldade encontrada por esses profissionais que têm sede de aprendizado e que estão muitas vezes à margem de tudo o que é oferecido em Educação para a sua própria formação contínua. 


Fontes Bibliográficas 

Coll, César. Monereo, Carles. Psicologia da Educação Virtual: Aprender e Ensinar com as Tecnologias da Informação e da Comunicação; tradução Naila freitas; consultoria, supervisão e revisão técnica: Milena da Rosa Silva. - Porto Alegre: Artmed, 2010.

Salgado, Maria Umbelina Caiafa. Tecnologias da educação : ensinado e aprendendo com as TIC : guia do cursista /Maria Umbelina Caiafa Salgado, Ana Lúcia Amaral. – Brasília : Ministério da Educação,Secretaria de Educação à Distância; 2008. 208 p.

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