Projetos, Mídias e Tecnologias no Ensino Fundamental e Médio

Por: Daniele Júlia Nascimento da Costa


“....entende-se por projeto um modo de agir do ser humano que define quem ele pretende ser e como se lançar em busca de metas” (MACHADO, 2000).


 Fernando Hernández propõe, na Espanha, um currículo integrado e o desenvolvimento de projetos de trabalho repercutindo no Brasil nas novas propostas de orientação curriculares. Hernandez alerta que para trabalhar com projeto não basta o aluno gostar de um determinado tema, é preciso que o tema seja instigador para o aluno e desperte sua curiosidade por novos conhecimentos. O trabalho por projeto passa a ser adotado em várias escolas, porém com um novo significado, pois Hernández(1998) aponta que o projeto não deve ser visto como uma opção puramente metodológica, mas como uma maneira de repensar a função da escola, o ensino e a aprendizagem. Essa compreensão é fundamental porque aqueles que buscam apenas conhecer os procedimentos e os métodos para desenvolver projetos acabam se frustrando, pois não existe um modelo ideal, pronto e acabado que dê conta da complexidade que envolve a realidade de sala de aula e do contexto escolar.

O trabalho por projeto permite que o aluno aprenda-fazendo e reconheça a sua autoria naquilo que produz por meio do estudo sobre questões de investigação que lhe impulsionam a contextualizar conceitos já conhecidos e a descobrir outros conceitos que emergem no desenvolvimento do projeto. No projeto, o aluno explora, aplica, busca, interpreta informações e tem a oportunidade de recontextualizar aquilo que aprendeu, estabelecer relações significativas entre os conhecimentos, ampliando o seu universo de aprendizagem.O aluno desenvolve competências para buscar e selecionar informações , tomar decisões , trabalhar em grupo, gerenciar confrontos de ideias, solucionar problemas, desenvolver competências interpessoais para aprender de forma colaborativa com seus pares.O trabalho em grupo favorece ao aluno compartilhar suas descobertas, reflexões e questionamentos com seus pares, a criação de vínculos, de companheirismo e de parceria, fortalecendo com isso uma nova maneira de aprender coletiva e colaborativamente. (Material do Proinfo 3)

Neste contexto, o trabalho com a tecnologia e as mídias digitais são importantíssimas, principalmente no Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio, já que essa faixa etária é imersa nessa realidade tecnológica e de inclusão digital. É fundamental que o trabalho seja realizado a partir de debates e planejamento realizado em conjunto com o aluno, onde o mesmo seja o co-autor e protagonista de sua aprendizagem. O objetivo desse trabalho seria estimular a prática cultural, histórica, científica, artística e literária através da interdisciplinaridade e fomento ao protagonismo juvenil.

O Protagonismo Juvenil entende-se por  um tipo de ação de intervenção no contexto social para responder a problemas reais onde o jovem é sempre o ator principal. É uma forma superior de educação para a cidadania não pelo discurso das palavras, mas pelo curso dos acontecimentos. É passar a mensagem da cidadania criando acontecimentos, onde o jovem ocupa uma posição de centralidade. O Protagonismo Juvenil significa, tecnicamente, o jovem participar como ator principal em ações que não dizem respeito à sua vida privada, familiar e afetiva, mas a problemas relativos ao bem comum, na escola, na comunidade ou na sociedade mais ampla. Outro aspecto do protagonismo é a concepção do jovem como fonte de iniciativa, que é ação; como fonte de liberdade, que é opção; e como fonte de compromissos, que é responsabilidade. Na raiz do protagonismo tem que haver uma opção livre do jovem, ele tem que participar na decisão se vai ou não fazer a ação. O jovem tem que participar do planejamento da ação. Depois tem que participar na execução da ação, na sua avaliação e na apropriação dos resultados. Existem dois padrões de protagonismo juvenil: quando as pessoas do mundo adulto fazem junto com os jovens e quando os jovens fazem de maneira autônoma.

As mídias e tecnologias entram nesse trabalho em diferentes etapas e para diferentes finalidades, no planejamento, na pesquisa, no registro de ideias, na comunicação e interação entre os pares, na comunicação de resultados, na elaboração de recursos e na divulgação de resultados...


Três são os paradigmas sobre a interação entre os alunos em contextos presenciais, segundo Dillenbourg (In: Coll; Monereo, 2008), são eles: o "paradigma do efeito", o "paradigma das condições" e o "paradigma da interação".

"O paradigma de efeito tenta confirmar a suposição de que determinadas formas de organização social da sala de aula - e, especificamente uma organização cooperativa" - abrem espaço ao melhor rendimento escolar dos alunos, porém não ocorrendo automaticamente. O que levou a um novo paradigma, o das condições, onde se buscou identificar características das situações cooperativas associadas ao melhor desempenho dos alunos na aprendizagem, destacando-se aí três grupos de fatores: a composição do grupo (tamanho, idade, gênero, heterogeneidade, etc...), as características da atividade e conteúdo e a atuação do professor. E por último o paradigma da interação que surge a partir da tomada de consciência de que todas as variáveis citadas, fatores e condições não têm efeito símples na aprendizagem dos alunos, uma vez que interagem entre si complexamente, dificultando o estabelecimento de relações causais diretas entre elas e os efeitos desse tipo de colaboração. A partir desses estudos busca-se desenvolver formas de potencialização de ocorrência de interações cada vez mais propícias à construção conjunta de significados, aumentando a frequência de conflitos cognitivos, fomentando as explicações elaboradas, apoiando a criação, manutenção e progresso da compreensão mútua, promovendo a tomada de decisões conjuntas sobre diferentes alternativas, promovendo a coordenação de papéis e controle mútuo do trabalho, fazendo os alunos atuarem compartilhadamente, cada vez mais.

A escola precisa estar preparada para lidar com as novas demandas e preparar seus professores para trabalharem aliando seus conhecimentos prévios com o novo que surge. 

COLL, C., MONEREO, C. Psicología em la educción virtual: Enseñar y aprender con las tecnologías de la información y la cominicación, Madrid, Espanha, 2008.

HERNÁNDEZ, F. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 1998.

MACHADO, N.J. Educação: projetos e valores. São Paulo: Escrituras, 2000.

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