Música é disciplina obrigatória







Por: Daniele Júlia Nascimento da Costa


Ouvir música, aprender uma canção, brincar de roda, realizar brinquedos rítmicos, são atividades que despertam, estimulam e desenvolvem o gosto pela atividade musical, além de propiciar a vivência de elementos estruturais dessa linguagem. A criança através da brincadeira, relaciona-se com o mundo que a cada dia descobre e é dessa forma que faz música: brincando. Receptiva e curiosa, ela pesquisa materiais sonoros, "descobre instrumentos", inventa melodias e ouve com prazer a música de todos os povos. De forma ativa e contínua, a aprendizagem musical integra prática, reflexão e conscientização, encaminhando a experiência para níveis cada vez mais elaborados. 


O MEC divulgou em 25 de agosto de 2008:

Todas as escolas públicas e particulares do Brasil terão de acrescentar, no prazo de três anos, mais uma disciplina na grade curricular obrigatória. A Lei nº 11.769, publicada no Diário Oficial da União no dia 19, altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) — nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 — e torna obrigatório o ensino de música no ensino fundamental e médio. A música é conteúdo optativo na rede de ensino, a cargo do planejamento pedagógico das secretarias estaduais e municipais de educação. No ensino geral de artes, a escola pode oferecer artes visuais, música, teatro e dança.
Com a alteração da LDB, a música passa a ser o único conteúdo obrigatório, mas não exclusivo. Ou seja, o planejamento pedagógico deve contemplar as demais áreas artísticas. Até 2011, uma nova política definirá em quais séries da educação básica a música será incluída e em que freqüência.
“A lei não torna obrigatório o ensino em todos os anos, e é isso que será articulado com os sistemas de ensino estaduais e municipais”, explica Helena de Freitas, coordenadora-geral de Programas de Apoio à Formação e Capacitação Docente de Educação Básica no Ministério da Educação. “O objetivo não é formar músicos, mas oferecer uma formação integral para as crianças e a juventude. O ideal é articular a música com as outras dimensões da formação artística e estética.”
O MEC recomenda que, além das noções básicas de música, dos cantos cívicos nacionais e dos sons de instrumentos de orquestra, os alunos aprendam cantos, ritmos, danças e sons de instrumentos regionais e folclóricos para, assim, conhecer a diversidade cultural do Brasil.
O desafio que surge com a nova lei é a formação de professores. Segundo os dados mais recentes do Censo da Educação Superior, de 2006, o Brasil tem 42 cursos de licenciatura em música, que oferecem 1.641 vagas. Em 2006, 327 alunos formaram-se em música no Brasil.
História — O ensino de música nas escolas brasileiras iniciou-se no século 19. A aprendizagem era baseada nos elementos técnico-musicais e realizada, por exemplo, por meio do solfejo. No fim da década de 1930, no entanto, Antônio Sá Pereira e Liddy Chiaffarelli Mignone buscaram inovações. Sá Pereira defendia a aprendizagem pela própria experiência com a música; Chiaffarelli propunha jogos musicais e corporais e o uso de instrumentos de percussão.
Naquela época, Heitor Villa-Lobos (1887-1959) ganhava destaque. Em 1927, três anos depois de conviver com o meio artístico parisiense, ele voltou ao país e apresentou, em São Paulo, um plano de educação musical. Em 1931, o maestro organizou uma concentração orfeônica chamada Exortação Cívica, com 12 mil vozes. Após dois anos, assumiu a direção da Superintendência de Educação Musical e Artística, quando a maioria de suas composições se voltou para a educação musical. Em 1932, o presidente Getúlio Vargas tornou obrigatório o ensino de canto nas escolas e criou o curso de pedagogia de música e canto.
Em 1960, projeto de Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro para a Universidade de Brasília (UnB) deu novo impulso ao ensino da música, com a valorização da experimentação. A idéia era preservar “a inocência criativa das crianças.” Duas décadas depois, a criação da Associação Brasileira de Educação Musical e da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas (Abrace) contribuiu para a formação de professores no ensino das linguagens artísticas em várias universidades. No ensino de música, a experiência direta e a criação são enfatizadas no processo pedagógico.
Na década de 1990, o ensino de artes passou a contemplar as diferenças de raça, etnia, religião, classe social, gênero, opções sexuais e o olhar mais sistemático sobre outras culturas. O ensino passou a ter valores estéticos mais democráticos.
Atualmente, a aprendizagem musical deve fazer sentido para o aluno. O ensino deve se dar a partir do contexto musical e da região na qual a escola está situada, não a partir de estruturas isoladas. Assim, busca-se compreender o motivo da criação e do consumo das diferentes expressões musicais. (disponível em http://portal.mec.gov.br/index.php?id=11100&option=com_content&task=view, acessado em 20 de fev. de 2013)





E o que fazer, então, se os professores não estão preparados e não há professores habilitados à disposição?

Oferecer música, ler sobre, conhecer a história, deixar os alunos sentirem e falarem sobre sentimentos que emergem e sensações. Oferecer diversidade de estilos, compará-los, pesquisá-los, estudá-los e discuti-los, entre tantos outros procedimentos que se pode realizar com a música. O importante é que o aluno tenha contato sistematizado e frequente.

Veja a entrevista que Keith Swanwick, especialista inglês, que acredita que é fundamental unir atividades de execução, apreciação e criação para que os alunos se desenvolvam artisticamente, deu à Revista Nova Escola:



>>>>> Projeto Brincadeiras Musicais da Palavra Cantada da Melhoramentos 


O projeto BRINCADEIRAS MUSICAIS DA PALAVRA CANTADA é inovador na abordagem do ensino da música para crianças, pois visa introduzir a educação musical em sala de aula a partir do brincar. Ele se constitui por três frentes de ação: I. Oferecer uma série de ações formativas – apoiadas por um Livro do Professor – que visam edificar uma educação musical que seja realmente significativa para as crianças. II. Disponibilizar para as escolas um acervo de livros, CDs e DVDs. III. Disponibilizar para as escolas um kit de formação com material de apoio e instrumentos musicais (opcional). O projeto é apresentado em: BRINCADEIRINHAS MUSICAIS DA PALAVRA CANTADA, destinado para a Educação Infantil e BRINCADEIRAS MUSICAIS DA PALAVRA CANTADA, destinado ao Ensino Fundamental I. 

Esse é um Projeto nota 10. 




Foto: Ivan Pontes
A música é generosa e proporciona uma gama de possibilidades para a sua prática. Se há dificuldade motora fina ou digital, podemos usar instrumentos que trabalham a coordenação global, como os instrumentos de percussão, por exemplo. Se há impedimento motor, troca-se a prática instrumental pelo canto. No caso de problemas auditivos, um exemplo clássico é Beethoven, que mesmo acometido com uma surdez total, continuou seu trabalho de músico, de modo magistral, , segundo  Vera Jardim, especialista em educação musical em entrevista para o Guia Prático para Professores, disponível na íntegra em: http://revistaguiafundamental.uol.com.br/professores-atividades/82/artigo209103-1.asp, acessado em 20 de fev. de 2013. 

"Sem a música, a vida seria um erro."
Friedrich Nietzsche

  Como adaptar a educação musical a alunos com deficiência auditiva?



O som, elemento essencial da música, é um fenômeno físico, percebido não apenas pela audição, mas também pelo tato, portanto adequa-se àqueles que se utilizam da linguagem visual-motora. É possível trabalhar outras formas de ouvir: ouvir com o corpo, ouvir com o intelecto, e isso inclui todas as pessoas, não apenas aquelas com limitações auditivas.

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