Educação Integral pela Formação Integral

Por: Daniele Júlia Nascimento Martí



A Educação desde sua democratização vem sendo negligenciada pelas Políticas Públicas, principalmente nos últimos anos. Mudança de metodologia a cada mudança de governo, falta de formação e capacitação adequada e permanente do corpo docente, falta de valorização e remuneração adequada, falta de planos de carreira que atendam às necessidades da categoria são alguns aspectos da má gestão da Educação.

Hoje muito se fala em Educação Integral, mas o que vem a ser?

Em 2009, o Ministério da Educação lançou a publicação Educação Integral, da Série Mais Educação, com o texto referência para o debate nacional. O texto destaca a importância de a Educação Integral exigir mais do que compromissos, pois impõe também e principalmente projeto pedagógico, formação de seus agentes, infraestrutura e meios para sua implantação.

Destaca-se também que a participação dos educadores, educandos e das comunidades contribuiu para ampliar os tempos e os espaços de formação de nossas crianças, adolescentes e jovens na perspectiva de que o acesso à educação pública seja complementado pelos processos de permanência e aprendizagem. Permanência essa que deve ser agradável do ponto de vista da criança/ adolescente e seus educadores e, produtiva do ponto de vista social e pedagógico, analiso.

É fundamental refletir sobre saberes, currículo e aprendizagem; relação escola – comunidade; tempos e espaços na Educação Integral; poder público; formação de educadores; e papel das redes sócio-educativas ao se implantar a Educação Integral.

O MEC recomenda que além de seu enfoque em políticas sociais, não se perca de vista o trabalho de implantação de políticas educacionais de crianças, adolescentes e jovens, promovendo o que as leis educacionais evidenciam, não fazendo da Educação Integral mais uma forma de conseguir recursos, como o Mais Educação, e apenas aumentando o tempo das crianças na escola, como o próprio decreto 6.253/07, que institui essa modalidade, preconiza. Há de se promover debates com toda a sociedade para viabilizar sua implantação com maior qualidade possível. Aumentando-se tempos, espaços e conteúdos na busca de uma formação verdadeiramente cidadã, reaproximando a educação da vida e vice-versa. É preciso por fim no enclausuramento que a criança foi posta durante anos, a um processo que chamamos escolarização, não apenas oferecendo mais do mesmo, aumentando apenas as horas de permanência na escola, rompendo a dicotomia aulas acadêmicas e atividades complementares (ou Currículo de Base Comum e Diversificada), o que não garante a melhoria na qualidade de Educação. Ao invés disso, quando implantada, essa modalidade da educação, deve favorecer o desenvolvimento global do aluno, por meio de diferentes linguagens, trazendo para dentro do espaço e vida escolar especificidades culturais, saberes, valores, práticas e crenças , tendo como grande desafio o reconhecimento da legitimidade das condições culturais da comunidade para estimular o diálogo constante com outras culturas, o que é essencial para se abrir a mente e o olhar sensível para outras expressões e saberes. Além disso, é primordial que se valorize e promova o diálogo da comunidade com a escola e da escola com a comunidade, fazendo da aprendizagem via de mão dupla onde o saber é compartilhado, sistematizado historicamente, proporcionando assim, novas abordagens e seleção de conteúdos relevantes para a Formação Integral dos Educandos.













A construção do Projeto Político-pedagógico, dar-se-á, assim, dialogicamente com os pares e com a comunidade escolar e local, fazendo-se perceber que todo local, pessoa e circunstância é educador, pensando e construindo um currículo que se integre e também dialogue entre si e a realidade.

É preciso nesse sentido, superar as concepções educacionais atuais, o que pressupõe novos conteúdos voltados à sustentabilidade ambiental, aos direitos humanos, ao respeito, à valorização das diferenças e à complexidade das relações entre a escola e a sociedade. Toda essa mudança de concepção e prática deve ser levada aos professores através de cursos de formação inicial e continuada. Deve haver um enfrentamento fundamental na construção do currículo, que é a fragmentação do conhecimento em disciplinas. Promovendo-se assim a Inter e Transdiciplinaridade, envolvendo a todos nessa construção coletiva que se dá na própria construção do PPP, envolvendo o Conselho Escolar, valorizando o Protagonismo Infanto-Juvenil, dos familiares e comunidade, que deve prever desde atividades cotidianas, curriculares e extracurriculares até os critérios de avaliação sistemática do planejado e do desenvolvido. E traz como exigência, também, que os processos de formação continuada para a formulação, implantação e implementação de projetos de Educação Integral incluam profissionais das áreas requeridas para compor a integralidade pressuposta neste debate: cultura, artes, esportes, lazer, assistência social, inclusão digital, meio ambiente, ciência e tecnologia, dentre outras.[1]

É essencial promover esse debate com toda a sociedade, transbordando-se para além das salas de reuniões fechadas dos pensadores e gestores educacionais. É fundamental envolver a todos por uma Educação verdadeiramente Integral para Todos.





[1] Educação integral : texto referência para o debate nacional. - Brasília : Mec, Secad, 2009. 52 p. : il. – (Série Mais Educação)


Referências:
Educação integral : texto referência para o debate nacional. - Brasília : Mec, Secad, 2009. 52 p. : il. – (Série Mais Educação), disponível em: file:///C:/Users/Turbo/Downloads/cadfinal_educ_integral.pdf (16/07/2015)

http://educacaointegral.org.br/materiais/tecendo-redes-para-educacao-integral-2/



Daniele Júlia Nascimento Martí
Professora de Ensino Fundamental e Ed. Infantil, há 17 anos
Pedagoga Especialista em Gestão de Instituições Educacionais Especialista em Tecnologias Educacionais Coordenadora Pedagógica de Educação Infantil e Ensino Fundamental de escolas municipais (rurais e urbanas) Fui Tutora Pedagógica Especialista em Curso de Licenciatura em Pedagogia (pela Unicoc) Coordenadora e Formadora de Programa de Formação de Professores em Tecnologias Educacionais, que abrange a dimensão de formação, fornecimento de equipamentos e materiais digitais - Proinfo Integrado da SEED/ MEC - governo federal do Brasil (de 2008 a 2011) Coordenadora na Implantação de Sistema de Gestão - Planeta Educação - Future Kids - Vitae (Coordenei a implantação do sistema, sua alimentação e manutenção, emissão de boletins e históricos, de junho de 2009 a maio de 2010, na rede municipal de Itupeva, quando o contrato foi rescindido, liderando pessoal de apoio administrativo em 26 escolas municipais), além de cuidar da manutenção com informações, curiosidades e matérias relacionadas à educação no site da Diretoria de Educação de Itupeva/SP, neste mesmo período. Assessoria Pedagógica, Administrativa e Tecnológica em montagem de escolas e creches desde o esboço do projeto até sua implantação, e acompanhamento nas diversas dimensões da Gestão Educacional.

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